Dois pesos, dois riscos

O número na balança é igual. O que acontece dentro do abdômen, não.

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ALÉM DA BALANÇA

Imagine duas pessoas com o mesmo peso na balança e quase o mesmo IMC. Uma tem pressão, glicemia e triglicerídeos dentro das metas. A outra já apresenta alterações nesses três marcadores. Peso parecido. Risco cardiovascular diferente.

Você sabe o seu peso. Mas você sabe qual é o seu risco cardiovascular?

Em 1972, o fisiologista Ancel Keys publicou o estudo que batizou o índice de massa corporal. O cálculo já existia desde o século XIX, mas foi esse trabalho que lhe deu o nome que usamos até hoje. E, no mesmo artigo, Keys já avisava: o IMC era, quando muito, "tão bom quanto qualquer outro índice de peso relativo" para descrever obesidade em populações, não uma medida direta do que se passa dentro do seu corpo.² O índice pegou, ficou fácil de calcular e virou sinônimo de diagnóstico individual, algo que ele nunca foi.

Sabemos que o excesso de gordura aumenta o risco cardiovascular. Mas uma parte importante desse risco não depende somente da quantidade: depende também de onde essa gordura está guardada e de quanto músculo o seu corpo carrega junto com ela. Massa muscular, força e capacidade física não anulam os efeitos do excesso de gordura, mas ajudam a definir a reserva metabólica e funcional de cada pessoa.

IMC e cintura, lado a lado

O IMC continua útil como primeira triagem, mas ele não mede diretamente a gordura corporal nem mostra onde ela está.¹ A cintura acrescenta essa segunda informação: onde a gordura está concentrada.³

IMC (seu peso dividido pela sua altura ao quadrado, em kg/m²)

  • Abaixo de 18,5 · baixo peso
  • 18,5 a 24,9 · peso normal
  • 25,0 a 29,9 · sobrepeso
  • 30,0 a 34,9 · obesidade grau 1
  • 35,0 a 39,9 · obesidade grau 2
  • 40,0 ou mais · obesidade grau 3

Cintura

  • Mulheres: risco aumentado a partir de 80 cm. Risco muito aumentado a partir de 88 cm.
  • Homens: risco aumentado a partir de 94 cm. Risco muito aumentado a partir de 102 cm.

Os pontos de corte da cintura vêm de populações majoritariamente europeias e não são fronteira biológica nem valor único para o Brasil. Servem para ampliar a investigação, não para fechar um diagnóstico sozinhos.³

Em 2025, uma comissão internacional formada por 58 especialistas e pessoas com experiência vivida em obesidade, publicada no Lancet Diabetes & Endocrinology, propôs distinguir duas situações. Na obesidade pré-clínica, existe excesso de gordura, mas ainda não há prejuízo funcional identificável. Na obesidade clínica, esse excesso já provoca sinais, sintomas ou comprometimento de órgãos.¹ Não é "doença leve" versus "doença grave": é a evidência de que duas pessoas na mesma linha da tabela podem estar em situações clínicas muito diferentes.

No Brasil, a diretriz brasileira de 2025 foi assinada em conjunto por cinco sociedades médicas: ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica), SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes), SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia), SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) e ABS (Academia Brasileira do Sono). Ela reforçou que o IMC deve ser complementado pela cintura e pela avaliação de risco cardiovascular.¹³ Em 2026, a própria ABESO publicou uma diretriz voltada ao tratamento medicamentoso, reforçando que complicações relacionadas à adiposidade podem influenciar decisões mesmo quando o IMC, sozinho, não conta toda a história.¹⁶

Onde a gordura mora

O corpo guarda energia em três lugares. A gordura subcutânea, sob a pele, é o depósito principal. A gordura visceral fica dentro do abdômen, ao redor dos órgãos. A gordura ectópica se infiltra em tecidos que não foram feitos para armazená-la: fígado, músculo, pâncreas, coração. Visceral e ectópica costumam andar juntas, mas não são sinônimos.⁴

Quando o depósito subcutâneo perde capacidade de acomodar energia de forma saudável, aumenta a chance de acúmulo visceral e ectópico, e é esse acúmulo que se associa a inflamação de baixo grau, resistência à insulina e alterações dos lipídios.⁴ Genética, sexo, idade, hormônios, sedentarismo e alimentação influenciam onde o seu corpo prefere guardar gordura; ninguém escolhe isso sozinho.

Como medir o que a fita métrica não vê

Você sabe quais são as formas possíveis de avaliar sua composição corporal, além do espelho e da balança? Três métodos são usados na prática:

Dobras cutâneas

  • O que mede: estima a gordura logo abaixo da pele, por pinçamento.
  • A favor: baixo custo e rápido.
  • Limite: depende muito da técnica de quem mede.

Bioimpedância

  • O que mede: estima gordura, massa magra e água pela resistência elétrica do corpo.
  • A favor: acessível, resultado imediato, o mais usado na prática nutrológica.
  • Limite: varia com hidratação, alimentação e exercício recente. A gordura visceral que o aparelho mostra é uma estimativa calculada a partir dessas medidas, não uma imagem do seu abdômen. A regularização na Anvisa garante que o aparelho é regulado como dispositivo de saúde, e não uma balança qualquer de uso pessoal, mas não substitui protocolo padronizado nem interpretação profissional.⁵˒⁶

DEXA (absorciometria)

  • O que mede: massa gorda por região e tecido magro, com mais precisão.
  • A favor: é o padrão mais usado em pesquisa.
  • Limite: pouco disponível, caro e usa radiação ionizante.

Na prática do consultório, a bioimpedância em equipamento regulado é o método mais acessível e com melhor relação custo-benefício: mais reprodutível que a dobra cutânea, que depende do operador, e mais disponível que o DEXA, que custa mais e expõe à radiação.⁵ Regularização sanitária não é sinônimo de validação clínica de acurácia, e nenhum dos três métodos, isoladamente, prova se já existe obesidade clínica. Eles complementam a avaliação clínica, não a substituem.⁵

O que a ciência mostra sobre a gordura visceral

Voltando à gordura visceral e subcutânea de que falamos acima: um estudo de 2024, com dados do UK Biobank, mediu por ressonância magnética essas duas gorduras em 24.265 pessoas e acompanhou o que aconteceu com elas por quase 13 anos.¹¹ Entre participantes com cintura abaixo da mediana, aqueles com gordura visceral acima da mediana tiveram risco 43% maior de doença coronariana do que o grupo em que as duas medidas estavam abaixo da mediana.¹¹ E o contrário também apareceu: quem tinha cintura acima da mediana com gordura visceral abaixo dela teve risco 46% maior.¹¹ Nenhum dos dois números representa a chance individual de infarto de uma pessoa. Juntos, eles dizem uma coisa só: cintura e gordura visceral carregam informações diferentes, e nenhuma das duas dispensa a outra.

Já em 2007, um estudo de atenção primária em 63 países, numa subamostra de 64.624 homens, tinha mostrado que, dentro da mesma faixa de IMC, a cintura variava muito de pessoa para pessoa: duas pessoas com o IMC idêntico podiam carregar volumes de gordura abdominal bem diferentes.¹²

Por que isso importa: a doença que mais mata no mundo

Doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no planeta. Foram 19,8 milhões de mortes em 2022, e 85% delas por infarto ou AVC.¹⁴ Infarto e AVC são as duas pontas da mesma história, e é a história que mais responde à prevenção. Comorbidades e estilo de vida aumentam esse risco de forma mensurável, e é exatamente esse risco que o IMC sozinho não consegue capturar. A leitura do risco cardiovascular associado à adiposidade não é simples: vai muito além de olhar o peso na balança, mesmo dentro da própria medicina.

O erro que mais vejo no prato, e o que os ultraprocessados fazem

Na minha prática como nutrólogo, o erro mais frequente não é o excesso de gordura. É o consumo baixo de proteína somado ao consumo alto de carboidrato refinado. Registro isso como observação clínica, repetida no consultório, não como achado com estatística própria.

E há um segundo fator, esse com evidência robusta, que mexe exatamente no que medimos nesta edição: os ultraprocessados pioram a composição corporal. Cada aumento de 10 pontos percentuais na participação deles na dieta se associou a mais gordura visceral, medida por DXA, ao longo de um ano.⁷ E eles fazem comer mais sem que a pessoa perceba: cerca de 500 kcal por dia a mais, e 0,9 kg em duas semanas, mesmo com refeições equiparadas em calorias, proteínas, açúcar, sódio e fibras.¹⁰ No Brasil, os ultraprocessados já respondem por 18,4% das calorias que as famílias compram para casa, e essa fatia vem crescendo. Nos Estados Unidos, chegam a 53,0% das calorias consumidas pelos adultos.⁸˒⁹

Fome, saciedade, gordura, músculo e o próprio carboidrato refinado: tudo isso vai ganhar uma edição só para si.

Na prática

  1. Meça sua cintura. É a medida simples que mais acrescenta ao IMC. Em pé, ao final de uma expiração normal, no ponto médio entre a última costela e o osso do quadril. Sempre no mesmo ponto.³
  2. Faça uma bioimpedância validada. É um exame simples, prático e que traz informação que a balança não dá. A massa muscular está diretamente relacionada à reserva fisiológica do corpo, e por isso ela mesma é um parâmetro de saúde. Do mesmo modo que o peso, sozinho, revela pouco, e que a cintura já acrescenta valor, conhecer a sua estimativa de gordura visceral e acompanhar esse número ao longo do tempo traz mais clareza para o processo e mais assertividade para a prevenção.
  3. Interprete as medidas em conjunto e acompanhe a tendência. Nenhuma medida isolada é sentença. O que orienta uma decisão é o conjunto (peso, cintura, composição corporal e exames) e, principalmente, para onde esse conjunto está caminhando ao longo dos meses. Por isso vale anotar e comparar, em vez de reagir ao valor de um dia só.
  4. Se IMC ou cintura vierem alterados, converse com seu médico sobre investigar mais. A gordura visceral favorece resistência à insulina, por isso glicemia de jejum e hemoglobina glicada costumam entrar nessa investigação; a insulina de jejum pode ajudar a estimar resistência à insulina, mas não é um exame padronizado para rastreio populacional, então peça-a com orientação médica, não por conta própria. Se o seu médico não for cardiologista, ele saberá dizer se e quando vale a pena o encaminhamento. Vamos falar em edições futuras de Lp(a), síndrome metabólica e homocisteína.
  5. Conheça o seu risco cardiovascular. Existem calculadoras que estimam esse risco a partir de dados simples. Na diretriz brasileira de 2025, a Sociedade Brasileira de Cardiologia adotou o escore PREVENT como ferramenta preferencial, em lugar dos escores de gerações anteriores, dos quais o de Framingham é o mais conhecido.¹⁵˒¹⁸ Repare num detalhe que conversa com tudo o que lemos aqui: além dos fatores clássicos, o PREVENT usa a função dos rins no cálculo. O IMC ficou de fora da conta de infarto e AVC e só entra na de insuficiência cardíaca, porque, segundo os autores do escore, o excesso de peso tem ligação própria e forte com insuficiência cardíaca, mas não com infarto e AVC.²¹ O PREVENT estima o risco em 10 e em 30 anos para pessoas de 30 a 79 anos. Ele também tem fronteiras: não foi validado abaixo dos 30 anos e, pela diretriz brasileira de obesidade, seu uso é restrito a IMC abaixo de 40 kg/m².¹³ Não existe escore derivado da população brasileira, mas o escore da Organização Mundial da Saúde e o Globorisk-LAC foram calibrados para o Brasil e também podem ser usados.¹⁸ De todo jeito, o resultado é sempre uma estimativa que o seu médico interpreta junto com o resto. O Método PRIME tem sua própria ferramenta de apoio, a Calculadora PRIME, em versão rápida e versão completa, que organiza a anamnese; ela não substitui escores validados, é um complemento. O PREVENT vai ganhar uma edição só dele, explicando o que entra na conta, o que o resultado quer dizer e o que fazer com ele.

Para guardar

O peso responde quanto o corpo pesa. O IMC relaciona esse peso à altura. A cintura acrescenta informação sobre a quantidade de gordura visceral, a gordura inflamatória, e sobre o risco cardiovascular.

E a massa muscular não é questão de estética. O músculo é um órgão endócrino: ele produz e libera mensageiros químicos próprios, as mioquinas, que conversam com o resto do corpo.¹⁹ É por isso que ele ocupa um lugar central nos processos fisiológicos ligados à restauração da saúde. O músculo participa do metabolismo energético e da captação de glicose, inclusive por uma via que não depende da insulina, o que ajuda a explicar por que ele melhora a sensibilidade à insulina e sustenta o gasto energético de base.²⁰ É reserva fisiológica: por isso uma pessoa com obesidade e massa muscular preservada tende a ter um perfil metabólico mais favorável do que uma pessoa com obesidade sarcopênica, mesmo com o mesmo peso na balança.¹⁷

Não é à toa que o movimento é o segundo pilar do Ciclo de Restauração Metabólica. Não por estética. Por fisiologia.

A avaliação melhora quando peso, cintura, composição corporal e exames conversam entre si.

Perguntas PRIME

Como tem evoluído o seu peso nos últimos anos? Está estável? Vem aumentando?

Agora observe o seu corpo. Você percebe aumento no depósito de gordura?

Hoje aprendemos que o peso e o IMC não enxergam tudo, e que existe uma ferramenta simples para enxergar um pouco mais. Você sabe qual é o valor da sua cintura abdominal?

Mas muito mais do que peso, IMC e cintura, o que estamos realmente procurando avaliar é o risco cardiovascular. E você, sabe qual é o seu risco cardiovascular?

Essas perguntas são importantes porque nos permitem olhar para nós mesmos e trabalhar pela prevenção, sustentando um bom estilo de vida e fazendo avaliações médicas periódicas.

Quando falamos de peso, IMC e cintura abdominal, indiretamente estamos falando dos nossos hábitos de vida. E nesse sentido eu te pergunto: como você avalia a sua alimentação? Péssima, boa ou ótima? Responda para você mesmo. E como você avalia o seu estilo de vida?

Hidratação e alimentação são o primeiro pilar do Ciclo de Restauração Metabólica.

E agora a pergunta que só você pode responder com um número. Pegue uma fita métrica, meça a sua cintura no ponto que descrevemos aqui em cima, ao final de uma expiração normal, e anote. Leva um minuto, e é a medida que mais muda a conversa da próxima consulta.

Por que esta newsletter existe

O PRIME é o programa de restauração metabólica. Ele nasceu da observação clínica diária de que o organismo, diante de inflamação crônica e do desequilíbrio dos processos fisiológicos, apresenta uma trava metabólica.

Esse olhar para a nutrologia, para a cardiologia, para a inflamação crônica e para a importância dos pilares da saúde foi o que me trouxe a vontade de compartilhar esse conhecimento e essas boas informações em saúde. A Longevida existe justamente para isso: para trazer esse olhar, essas reflexões e essas boas orientações em saúde.

Por isso o PRIME tem essa premissa: restauração, não restrição. Dieta muitas vezes fala sobre restrição e proibição, sobre o que eu não posso. No PRIME falamos sobre mudança do estilo de vida e mudança do padrão alimentar. E nesse sentido deixa de ser proibição e passa a ser decisão.

E nada disso se sustenta em cima de julgamento. O tratamento da obesidade passa pela aceitação, porque é pela aceitação que vem a transformação.

Decida ser o melhor de si mesmo. O PRIME te ajuda nesse caminho.

Conheça o Método PRIME

Mediu a cintura? Responda a este e-mail e me conte o número que encontrou. Eu leio as respostas, e o que vocês perguntam vira pauta das próximas edições. Um cuidado só: este é um canal educativo, não um canal de atendimento. Não envie exames, laudos nem dados pessoais de saúde por e-mail.

Se esta edição mudou a forma como você olha para o próprio peso, encaminhe para uma pessoa que também precisa compreender essa diferença. Quem receber poderá assinar a Longevida para acompanhar as próximas edições.

Referências

  1. Rubino F, Cummings DE, Eckel RH, et al. Definition and diagnostic criteria of clinical obesity. Lancet Diabetes Endocrinol. 2025;13(3):221-262. doi: 10.1016/S2213-8587(24)00316-4. (IMC como triagem; distinção entre obesidade pré-clínica e clínica.)
  2. Keys A, Fidanza F, Karvonen MJ, Kimura N, Taylor HL. Indices of relative weight and obesity. J Chronic Dis. 1972;25(6-7):329-343. doi: 10.1016/0021-9681(72)90027-6. (Artigo que nomeou o "body mass index"; o próprio autor o descreveu como "não totalmente satisfatório, mas tão bom quanto qualquer outro índice de peso relativo".)
  3. Ross R, Neeland IJ, Yamashita S, et al. Waist circumference as a vital sign in clinical practice: a Consensus Statement from the IAS and ICCR Working Group on Visceral Obesity. Nat Rev Endocrinol. 2020;16:177-189. doi: 10.1038/s41574-019-0310-7. (Pontos de corte de cintura e protocolo padronizado de medida.)
  4. Després JP. Body fat distribution and risk of cardiovascular disease: an update. Circulation. 2012;126(10):1301-1313. doi: 10.1161/CIRCULATIONAHA.111.067264. (Modelo da gordura ectópica; associação robusta, sem prova de causalidade, conforme conclusão do próprio autor.)
  5. Prado CM, Gonzalez MC, Norman K, et al. Methodological standards for body composition assessment. Am J Clin Nutr. 2026;123(5):101283. doi: 10.1016/j.ajcnut.2026.101283. (Padronização, interpretação e limitações de bioimpedância, DEXA e outros métodos.)
  6. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). RDC nº 751, de 15 de setembro de 2022. Dispõe sobre a classificação de risco, os regimes de notificação e de registro, e os requisitos de rotulagem e instruções de uso de dispositivos médicos. (Arts. 6º e 7º: classes I e II são sujeitas a notificação; classes III e IV, a registro. Aparelhos de bioimpedância com finalidade de diagnóstico em saúde são dispositivos médicos ativos de diagnóstico e precisam estar regularizados; aparelhos vendidos sem finalidade médica não passam por essa regularização.)
  7. Konieczna J, Morey M, Abete I, et al. Contribution of ultra-processed foods in visceral fat deposition and other adiposity indicators: prospective analysis nested in the PREDIMED-Plus trial. Clin Nutr. 2021;40(6):4290-4300. doi: 10.1016/j.clnu.2021.01.019 · PMID: 33610419. (n=1.485; gordura visceral medida por DXA; cada +10 pontos percentuais de ultraprocessados associado a mais acúmulo de gordura visceral, β 0,09 z-score [IC 95% 0,05-0,13].)
  8. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018: participação de ultraprocessados nas calorias adquiridas pelas famílias brasileiras. Agência de Notícias IBGE, 2020. (Evolução de 12,6% em 2002-2003 para 16,0% em 2008-2009 e 18,4% em 2017-2018.)
  9. Williams AM, Couch CA, Emmerich SE, Ogburn DF. Ultra-processed food consumption among youth and adults: United States, August 2021–August 2023. NCHS Data Brief. 2025;(536):1-11. doi: 10.15620/cdc/174612. (Adultos de 19 anos ou mais: 53,0% das calorias diárias vêm de ultraprocessados.)
  10. Hall KD, Ayuketah A, Brychta R, et al. Ultra-processed diets cause excess calorie intake and weight gain: an inpatient randomized controlled trial of ad libitum food intake. Cell Metab. 2019;30(1):67-77.e3. doi: 10.1016/j.cmet.2019.05.008 · PMID: 31105044. (Ensaio cruzado com 20 adultos: cerca de 508 kcal/dia a mais e ganho médio de 0,9 kg durante duas semanas da dieta ultraprocessada.)
  11. Yi D, Tang X, Xing Z. Visceral and subcutaneous adiposity and cardiovascular disease: unravelling associations and prognostic value. Diabetes Obes Metab. 2024;26(12):5819-5826. doi: 10.1111/dom.15953 · PMID: 39313919. (UK Biobank, n=24.265, RM abdominal, seguimento médio 12,9 anos; gordura visceral acima da mediana com cintura abaixo da mediana: HR 1,43 [IC 95% 1,15-1,78] para doença coronariana.)
  12. Balkau B, Deanfield JE, Després JP, et al. International Day for the Evaluation of Abdominal Obesity (IDEA): a study of waist circumference, cardiovascular disease, and diabetes mellitus in 168.000 primary care patients in 63 countries. Circulation. 2007;116:1942-1951. doi: 10.1161/CIRCULATIONAHA.106.676379. (Subamostra de 64.624 homens: ampla variação de cintura dentro de cada faixa de IMC.)
  13. Diretriz brasileira baseada em evidências de 2025 para o manejo da obesidade e prevenção de doenças cardiovasculares e complicações associadas à obesidade. Posicionamento conjunto ABESO, SBD, SBC, SBEM e ABS. Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250621. (Obesidade abdominal como preditora independente de morbimortalidade em qualquer faixa de IMC.)
  14. World Health Organization. Cardiovascular diseases (CVDs). Fact sheet, 31 de julho de 2025 (dados de 2022). who.int/news-room/fact-sheets/detail/cardiovascular-diseases-(cvds). (19,8 milhões de mortes em 2022; principal causa de morte no mundo; 85% delas por infarto ou AVC.)
  15. D'Agostino RB Sr, Vasan RS, Pencina MJ, et al. General cardiovascular risk profile for use in primary care: the Framingham Heart Study. Circulation. 2008;117(6):743-753. doi: 10.1161/CIRCULATIONAHA.107.699579 · PMID: 18212285. (Escore de risco cardiovascular de Framingham, versão de 2008.)
  16. Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO). Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade, ABESO 2026. 5ª ed. São Paulo: Scientific; 2026. ISBN 978-65-995414-1-4.
  17. Donini LM, Busetto L, Bischoff SC, et al. Definition and diagnostic criteria for sarcopenic obesity: ESPEN and EASO consensus statement. Obes Facts. 2022;15(3):321-335. doi: 10.1159/000521241 · PMID: 35196654. (Obesidade sarcopênica como coexistência de excesso de adiposidade e baixa massa ou função muscular.)
  18. Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose, 2025. Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250640. abccardiol.org. (Adota o escore PREVENT, da American Heart Association, 2024, como ferramenta preferencial de estimativa de risco, em substituição aos escores tradicionais; recomendação FORTE, certeza ALTA. PREVENT: 30 a 79 anos sem doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida; incorpora taxa de filtração glomerular estimada e uso de estatina aos fatores clássicos (o IMC entra só no modelo de insuficiência cardíaca, conforme a fonte primária, referência 21); estima risco em 10 e 30 anos. A diretriz registra que não há escore derivado de população brasileira.)
  19. Pedersen BK, Febbraio MA. Muscles, exercise and obesity: skeletal muscle as a secretory organ. Nat Rev Endocrinol. 2012;8(8):457-465. doi: 10.1038/nrendo.2012.49. (O músculo esquelético como órgão secretor: produz e libera mioquinas, com efeitos sobre metabolismo e outros tecidos.)
  20. Richter EA, Hargreaves M. Exercise, GLUT4, and skeletal muscle glucose uptake. Physiol Rev. 2013;93(3):993-1017. doi: 10.1152/physrev.00038.2012 · PMID: 23899560. (Captação muscular de glicose por via independente de insulina; base fisiológica do efeito do músculo sobre a sensibilidade à insulina.)
  21. Khan SS, Matsushita K, Sang Y, et al. Development and validation of the American Heart Association's PREVENT equations. Circulation. 2024;149(6):430-449. doi: 10.1161/CIRCULATIONAHA.123.067626

Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica individual. Decisões sobre investigação e tratamento de risco cardiovascular devem ser tomadas com o seu médico.

Transparência: o autor é criador do Método PRIME e da Calculadora PRIME, mencionados nesta edição. Este conteúdo não recebeu patrocínio comercial de terceiros.

Dr. Frederico Ligeiro Medeiros · Cardiologista, Nutrólogo e Intensivista · CRM-MT 6489 · CRM-SP 165986 · RQE 5316 (Cardiologia) · RQE 6749 (Nutrologia) · Barra do Garças, MT.