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# Depois do GLP-1: como planejar a manutenção do peso?
- URL: https://longevida.drfredericomedeiros.com.br/depois-do-glp-1-como-planejar-a-manutencao-do-peso/
- Published: 2026-09-12T11:46:32.000Z
- Updated: 2026-09-12T11:46:32.000Z
- Author: FREDERICO LIGEIRO MEDEIROS
- Tags: Academy, Nutrologia & Metabolismo, Atividade física

## A resposta curta

Depois da suspensão de um agonista de GLP-1, parte relevante do peso perdido costuma retornar. Esse processo tende a ser mais rápido nos primeiros meses e desacelera com o tempo. Em uma análise publicada em 2026, cerca de 60% da perda havia retornado em um ano. O modelo estimou uma estabilização próxima de 75%, mas essa parte da curva é uma projeção matemática.¹

Nos ensaios de retirada, continuar o tratamento preservou o resultado com muito mais frequência do que interrompê-lo.²˒³ Isso não decide a conduta de cada paciente. Mostra que a manutenção precisa ser planejada com o mesmo cuidado dedicado ao início do tratamento.

A aplicação prática cabe em uma frase: **converse sobre o depois antes da primeira dose.**

## Três perguntas para acompanhar a leitura

1. Quanto do peso costuma retornar depois da suspensão?
2. O que muda quando o medicamento é mantido?
3. Como proteger massa magra e função durante o processo?

Essas perguntas organizam a evidência. Também evitam que uma coleção de percentuais ocupe o lugar da decisão clínica.

Um limite acompanha toda a edição. STEP 1 e SURMOUNT-4 excluíram pessoas com diabetes tipo 2\. Seus resultados não descrevem diretamente a retirada nesse grupo. Também não orientam ajustes simultâneos de insulina ou sulfonilureias.

## A pergunta que costuma chegar tarde

“Doutor, e quando eu parar a caneta?”

Quem prescreve esses medicamentos escuta essa frase com frequência. Ela costuma aparecer quando o paciente já respondeu bem e começa a pensar no custo, nos eventos adversos ou no desejo de interromper.

O problema é o momento. A conversa sobre manutenção deveria começar quando o tratamento é iniciado.

Perder peso e sustentar o resultado são duas fases do cuidado da obesidade. O medicamento atua em mecanismos ligados à fome, à saciedade e à regulação do peso. Quando ele é retirado, parte desse apoio desaparece. Por isso, o reganho pode representar a retomada da atividade da doença.

Esse enquadramento muda o tom da consulta. Reduz culpa e permite discutir continuidade, troca ou retirada como decisões clínicas reais.

## STEP 1: o que aconteceu no ano seguinte?

Na extensão do STEP 1, adultos com obesidade ou sobrepeso, sem diabetes, receberam semaglutida 2,4 mg por 68 semanas. Depois, 327 participantes foram acompanhados por mais um ano. O medicamento e o apoio estruturado de estilo de vida haviam terminado.²

Durante o tratamento, a perda média foi de 17,3% do peso inicial. No ano seguinte, retornaram 11,6 pontos percentuais. Ao final, o grupo ainda estava, em média, 5,6% abaixo do peso inicial.

Em linguagem direta: os participantes recuperaram cerca de dois terços dos quilos perdidos.

![STEP 1: exemplo para entender os percentuais](https://storage.ghost.io/c/87/e6/87e6894b-e781-4d78-96a5-e6ffa7e8f234/content/images/2026/09/ed01_step1_exemplo.png)

STEP 1: conversão aproximada das médias para uma pessoa de 105 kg.

Pressão arterial, glicemia e alguns marcadores metabólicos também caminharam em direção aos valores anteriores. Parte do benefício ainda permanecia. A melhora metabólica, portanto, diminuiu à medida que o peso retornou.

Há uma ressalva útil para o consultório. O estudo encerrou ao mesmo tempo a semaglutida e o programa estruturado de estilo de vida. Ele mostra o que aconteceu após o fim daquele conjunto de cuidados. Não separa perfeitamente o efeito de cada componente.

## SURMOUNT-4: continuar fez diferença?

O SURMOUNT-4 começou com 783 adultos com obesidade ou sobrepeso, sem diabetes. Todos receberam tirzepatida. Após 36 semanas, 670 participantes haviam completado essa fase e tolerado a dose máxima de 10 ou 15 mg. A perda média era de 20,9% do peso inicial.³

Nesse ponto, o estudo sorteou os participantes para continuar a tirzepatida ou receber placebo durante mais 52 semanas.

![SURMOUNT-4: dois caminhos depois da perda inicial](https://storage.ghost.io/c/87/e6/87e6894b-e781-4d78-96a5-e6ffa7e8f234/content/images/2026/09/ed01_surmount4_caminhos.png)

SURMOUNT-4: comparação entre continuidade da tirzepatida e placebo.

Outro resultado ajuda a visualizar a distância entre os grupos. Entre os participantes que continuaram, 89,5% preservaram ao menos 80% da perda inicial. No grupo placebo, 16,6% alcançaram esse critério.

Esse ensaio responde bem a uma pergunta: manter tirzepatida foi superior a retirá-la nos participantes que completaram e toleraram a fase inicial.

Ele não avaliou redução gradual, espaçamento de doses, troca de medicamento ou um programa intensivo de transição. Essas estratégias podem aparecer em decisões individualizadas. O SURMOUNT-4, porém, não as testou.

STEP 1 recebeu patrocínio da Novo Nordisk, e SURMOUNT-4, da Eli Lilly. Os patrocinadores participaram dos respectivos programas de pesquisa. Essa informação deve integrar a avaliação de risco de viés.

## O reganho acontece em que ritmo?

STEP 1 e SURMOUNT-4 mostram momentos específicos. A revisão de Budini e colaboradores tentou montar o filme completo. Os autores reuniram 48 estudos e usaram seis ensaios randomizados, com 3.236 participantes, para modelar a trajetória do peso após a suspensão.¹

![Trajetória modelada do reganho após suspensão de agonistas de GLP-1](https://storage.ghost.io/c/87/e6/87e6894b-e781-4d78-96a5-e6ffa7e8f234/content/images/2026/09/ed01_curva_reganho.png)

Trajetória modelada do reganho. A linha tracejada representa extrapolação.

A curva sobe mais depressa nos primeiros meses. Por volta de um ano, o modelo estima o retorno de aproximadamente 60% da perda. Depois, a velocidade diminui.

O platô próximo de 75% exige mais cautela. Ele foi estimado pelo modelo além da principal janela observada. Serve para compreender a forma provável da trajetória. Não equivale a acompanhamento direto de cada participante por vários anos.

Se o paciente perdeu 20 kg, 60% da perda corresponde a cerca de 12 kg. Esse exemplo explica o denominador. Não prevê quanto aquele paciente recuperará.

Outras metanálises encontraram médias entre aproximadamente 4 e 9,7 kg.⁴⁻⁶ As diferenças refletem medicamentos, populações, perdas iniciais e tempos de acompanhamento distintos. Os estudos concordam sobre a ocorrência do reganho. A quantidade varia bastante.

Quando os números parecerem conflitantes, três perguntas ajudam: qual foi o ponto de partida, quanto tempo passou e qual medicamento foi estudado?

## E a massa magra?

Esse tema pede uma distinção importante. Na DEXA, tecido magro inclui músculo, água, órgãos e tecido conjuntivo. Uma redução de tecido magro não representa automaticamente a mesma perda de músculo. Também não informa, sozinha, força ou desempenho.

Uma metanálise em rede reuniu 22 ensaios com agonistas de GLP-1 e coagonistas. O tecido magro correspondeu a aproximadamente um quarto da perda ponderal.⁷ O resultado merece atenção, mas não funciona como fórmula individual.

Ainda existe uma lacuna. As principais metanálises de retirada acompanharam peso, IMC e cintura. Elas não avaliaram por DEXA a composição do peso recuperado. Portanto, a afirmação de que “o peso volta como gordura e o músculo não volta” permanece uma hipótese plausível, ainda sem demonstração direta.

## O que podemos proteger desde o início?

O treinamento resistido tem o melhor suporte disponível para preservar massa magra durante restrição energética. Em uma metanálise com idosos com obesidade, ele evitou cerca de 90% da perda de massa magra.⁸ O estudo não avaliou especificamente a retirada de semaglutida ou tirzepatida. A evidência é indireta para esse cenário.

A proteína oferece substrato. O treino oferece estímulo. A estratégia clínica costuma combinar os dois, ajustados à pessoa.

Faixas de 1,2 a 1,6 g/kg/dia podem ser consideradas em adultos selecionados durante perda de peso e exercício.¹⁰ A prescrição precisa declarar a base do cálculo. Também deve considerar função renal, albuminúria, idade, ingestão habitual, intensidade do déficit e volume de treino.

Um ensaio ajuda a evitar soluções simplistas. Durante uma dieta de muito baixo valor calórico, elevar a proteína de 52 para 77 g/dia não impediu a redução de tecido magro.⁹ O estudo não tinha um grupo de exercício. A dose, o déficit energético e a ausência de treino podem ter influenciado o resultado.

## O que muda na consulta de amanhã?

Eu levaria seis decisões para a prática:

1. Conversar sobre manutenção antes da primeira dose.
2. Acompanhar cintura, força e função, além do peso.
3. Introduzir treinamento resistido durante a fase de perda.
4. Prescrever proteína com quantidade e base de cálculo registradas.
5. Planejar continuidade, troca ou retirada conforme resposta, tolerabilidade, custo, acesso e preferência.
6. Se houver retirada, definir retornos e critérios objetivos para rever a estratégia.

Esse conjunto não foi testado como uma intervenção única. Ele combina evidência direta sobre manutenção farmacológica, evidência indireta sobre proteção muscular e julgamento clínico.

Uma explicação possível para o paciente seria:

> “O medicamento ajuda a controlar mecanismos que favorecem fome e recuperação do peso. Quando ele é retirado, parte desse controle pode desaparecer. O peso pode voltar aos poucos. Isso não representa falta de força de vontade. Qualquer mudança precisa ser planejada e acompanhada.”

## Para guardar

O reganho após a retirada dos agonistas de GLP-1 costuma ser progressivo. Aproximadamente 60% da perda pode retornar no primeiro ano. A estabilização próxima de 75% vem de um modelo e carrega mais incerteza.

Manter o tratamento preservou melhor o resultado nos ensaios disponíveis. Quando a retirada for considerada, ela deve abrir uma nova fase de cuidado.

**A manutenção começa antes da retirada.**

## Referências

1. Budini B, Luo S, Tam M, et al. Trajectory of weight regain after cessation of GLP-1 receptor agonists: a systematic review and nonlinear meta-regression. *eClinicalMedicine.* 2026;93:103796\. doi: [10.1016/j.eclinm.2026.103796](https://doi.org/10.1016/j.eclinm.2026.103796?ref=longevida.drfredericomedeiros.com.br).
2. Wilding JPH, Batterham RL, Davies M, et al. Weight regain and cardiometabolic effects after withdrawal of semaglutide: the STEP 1 trial extension. *Diabetes Obes Metab.* 2022;24(8):1553–1564\. doi: [10.1111/dom.14725](https://doi.org/10.1111/dom.14725?ref=longevida.drfredericomedeiros.com.br). PMID 35441470.
3. Aronne LJ, Sattar N, Horn DB, et al. Continued treatment with tirzepatide for maintenance of weight reduction in adults with obesity: the SURMOUNT-4 randomized clinical trial. *JAMA.* 2024;331(1):38–48\. doi: [10.1001/jama.2023.24945](https://doi.org/10.1001/jama.2023.24945?ref=longevida.drfredericomedeiros.com.br). PMID 38078870.
4. Berg S, Stickle H, Rose SJ, Nemec EC. Discontinuing glucagon-like peptide-1 receptor agonists and body habitus: a systematic review and meta-analysis. *Obesity Reviews.* 2025;26(8):e13929\. doi: [10.1111/obr.13929](https://doi.org/10.1111/obr.13929?ref=longevida.drfredericomedeiros.com.br).
5. Tzang CC, Wu PH, Luo CA, et al. Metabolic rebound after GLP-1 receptor agonist discontinuation: a systematic review and meta-analysis. *eClinicalMedicine.* 2025;90:103680\. doi: [10.1016/j.eclinm.2025.103680](https://doi.org/10.1016/j.eclinm.2025.103680?ref=longevida.drfredericomedeiros.com.br).
6. Zhou L, Wei A, Pan C, et al. Effects of glucagon-like peptide-1 receptor agonists after treatment withdrawal: a systematic review and meta-analysis. *J Gen Intern Med.* 2025;41(3):807–818\. doi: [10.1007/s11606-025-09950-4](https://doi.org/10.1007/s11606-025-09950-4?ref=longevida.drfredericomedeiros.com.br).
7. Karakasis P, Patoulias D, Fragakis N, Mantzoros CS. Effect of glucagon-like peptide-1 receptor agonists and co-agonists on body composition: systematic review and network meta-analysis. *Metabolism.* 2025;164:156113\. doi: [10.1016/j.metabol.2024.156113](https://doi.org/10.1016/j.metabol.2024.156113?ref=longevida.drfredericomedeiros.com.br).
8. Sardeli AV, Komatsu TR, Mori MA, et al. Resistance training prevents muscle loss induced by caloric restriction in obese elderly individuals: a systematic review and meta-analysis. *Nutrients.* 2018;10(4):423\. doi: [10.3390/nu10040423](https://doi.org/10.3390/nu10040423?ref=longevida.drfredericomedeiros.com.br). PMID 29587357.
9. Magkos F, Hjorth MF, Asping S, et al. A protein-supplemented very-low-calorie diet does not mitigate reductions in lean mass and resting metabolic rate in subjects with overweight or obesity: a randomized controlled trial. *Clinical Nutrition.* 2021\. doi: [10.1016/j.clnu.2021.10.006](https://doi.org/10.1016/j.clnu.2021.10.006?ref=longevida.drfredericomedeiros.com.br).
10. Mesinovic J, Hurst C, Leung GKW, et al. Exercise and dietary recommendations to preserve musculoskeletal health during weight loss in adults with obesity: a practical guide. *Rev Endocr Metab Disord.* 2025;26:785–803\. doi: [10.1007/s11154-025-09968-3](https://doi.org/10.1007/s11154-025-09968-3?ref=longevida.drfredericomedeiros.com.br). PMID 40434574.

### Rodapé e segurança

Conteúdo destinado a profissionais de saúde, com finalidade de educação médica continuada. Não constitui protocolo institucional nem substitui julgamento clínico individualizado.

**Declaração de conflito de interesses do autor:** o autor declara não possuir conflitos de interesses relacionados ao conteúdo desta edição.

Dr. Frederico Ligeiro Medeiros · Cardiologista, Nutrólogo e Intensivista · CRM-MT 6489 · CRM-SP 165986 · RQE 5316 (Cardiologia) · RQE 6749 (Nutrologia).

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